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Recomendação de E.S. Oxes – 🌶️🌶️🌶️🌶️
Há diretores que filmam corpos. E há Tinto Brass, que os persegue.
Monella é 1998, mas se passa numa Itália rural dos anos 50 que talvez nunca tenha existido fora da cabeça dele: um vilarejo de bicicletas, saias rodadas, vento oportuno e uma moral coletiva que todo mundo finge respeitar. É nesse cenário de postal desbotado que Brass instala sua obsessão de sempre, e a filma com a paciência de quem tem certeza de que ninguém vai desviar o olhar.
Título original: Monella (no Brasil, Monella, a Travessa; internacionalmente, Frivolous Lola)
Ano: 1998
Direção: Tinto Brass
Roteiro: Tinto Brass, Barbara Alberti, Carla Cipriani
Elenco principal: Anna Ammirati, Patrick Mower, Max Parodi, Serena Grandi, Antonio Salines
Trilha sonora: Pino Donaggio
Duração: 105 minutos
País: Itália
Idioma original: Italiano
Onde assistir: Prime Video (assinatura) | CHILI (Itália, com anúncios)
Nível de explicitação: 🌶️🌶️🌶️🌶️ (4/5)

Lola vai casar. Não porque queira esperar, mas porque Masetto — noivo, filho do padeiro, apaixonado de um jeito profundamente inconveniente — decidiu sozinho que ela chegará virgem ao altar. É a promessa dele, feita em nome dela, sobre o corpo dela. Ninguém consultou Lola.
O erro de Masetto é achar que castidade se impõe pelo lado de fora. Lola aceita o noivado do mesmo jeito que uma criança aceita o castigo: sem discutir, e planejando a próxima travessura no caminho de volta pra casa.
Porque é isso o que ela faz o filme inteiro. Lola provoca. Aparece onde não devia, na hora errada, com a roupa quase certa. Sobe na bicicleta sabendo exatamente o que a bicicleta faz com uma saia. Encosta em Masetto até o rapaz suar frio de virtude, e recua um segundo antes do desastre. Ela não seduz para conquistar ninguém: ela seduz porque descobriu que pode, e porque o mundo inteiro passou a semana inteira dizendo a ela que não podia.
E então tem André. Homem feito, inglês, com a calma dos que não precisam mais provar nada, e, para completar o desenho, amante fixo de Zaira, mãe de Lola. O vilarejo sabe. Zaira sabe. Lola, principalmente, sabe. É exatamente por isso que ele interessa.
O que Brass faz a partir daí não é construir tensão sexual: é deixá-la apodrecer devagar, ao sol. Masetto redobra os sermões sobre pureza. Zaira finge distração de mãe. Lola circula entre os dois homens com o sorriso de quem está muito bem informada sobre o próprio poder. Ninguém está errado o suficiente para ser vilão, e ninguém está certo o suficiente para ser salvo.
No fim, o filme não condena nem absolve. Só continua olhando.
Por que 🌶️🌶️🌶️🌶️?
Porque é Tinto Brass, e Tinto Brass tem uma gramática visual que já entrou pro vocabulário do cinema: o plano baixo, a lente colada, o enquadramento que ignora o rosto e escolhe deliberadamente a parte do corpo que a moral do século pediu para esconder. Não é insinuação. É close. Longo, frontal, sem pressa, sem corte de misericórdia.
Em Monella, isso não é um momento: é o método. A câmera se ajoelha, espia por baixo, contorna, demora. Lola pedala e a saia sobe; ela se inclina e o vestido decide por conta própria. O filme inteiro é organizado ao redor da possibilidade de ver, e Brass nunca deixa essa promessa sem resposta. Nudez frontal feminina extensa, repetida, e fotografada com uma luz de verão italiano que trata pele como se fosse paisagem.
O que ele não faz: hardcore. Não há relato de cena com penetração real, e a produção segue o padrão do softcore italiano de estúdio da época, presumivelmente simulado. O que arde aqui não é o ato, é a insistência do olhar.
A dois, funciona pelo constrangimento delicioso de assistir junto a alguém a uma câmera que não tem vergonha nenhuma. Sozinho(a), funciona pelo motivo oposto: sem plateia, dá pra parar de fingir que você está prestando atenção no roteiro.
🎵 Trilha: italiano dos anos 50 e 60 — Mina, Fred Buscaglione, qualquer coisa com sopros e uma malícia leve por baixo da melodia.
🍷 Ritual: Prosecco gelado, janela aberta, luz baixa. O filme já trouxe o verão dele; você só precisa deixar entrar.

Monella não é o filme mais ambicioso de Brass, e provavelmente não é o melhor. O roteiro é fino, a comédia é de vilarejo, e o final não vai mudar a sua vida. Mas é talvez o mais honesto deles: um filme que nunca fingiu ter outro assunto além daquele que tem.
Anna Ammirati carrega tudo com um tipo de energia que não se ensaia. Lola não é uma vítima da moral do vilarejo nem uma tentadora de manual, e é essa terceira coisa, a travessura consciente, que faz o filme funcionar. Ela sabe o que está fazendo. Brass sabe o que ela está fazendo. E a câmera, ajoelhada no chão de terra batida, sabe também.
Assista pelo que Brass é. Fique pelo que Lola faz com isso.
Prime Video (assinatura) e CHILI, com anúncios, no catálogo italiano.
Sim. Nudez frontal feminina extensa e recorrente, filmada em close, sem cortes evasivos — é o centro estético do filme, não um detalhe.
Não há confirmação de cenas não simuladas. O padrão de produção do softcore italiano da época é de sexo simulado, e nada indica exceção aqui.
Não. É ficção original de Tinto Brass com Barbara Alberti e Carla Cipriani.
Já assistiu? Conta nos comentários — e se foi a dois, conta ainda mais. 😈