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Recomendação de E.S. Oxes
Medem se deu uma regra e cumpriu até o fim: um cômodo, duas mulheres, uma noite. Nada de Roma além do que se vê pela janela. E quase nenhuma roupa, do minuto vinte até o amanhecer. Não é um filme sobre sexo entre duas mulheres, é um filme sobre duas estranhas mentindo uma para a outra, peladas, com o relógio contando. Alba é espanhola e sabe exatamente o que quer. Natasha é russa, tem vinte e poucos, diz que é hétero, e diz isso três vezes antes de entrar no quarto.
Título: Quarto em Roma (Habitación en Roma / Room in Rome)
Ano: 2010
Direção, roteiro e montagem: Julio Medem
Elenco principal: Elena Anaya, Natasha Yarovenko, Enrico Lo Verso, Najwa Nimri
Fotografia: Álex Catalán · Trilha: Jocelyn Pook, com canções de Russian Red
Duração: 107–109 min
País: Espanha (idiomas originais: inglês, espanhol, russo, italiano, basco)
Onde assistir: sem streaming por assinatura ativo no Brasil no momento. Fora do país, aparece no catálogo do MUBI. No Brasil, verifique aluguel e compra no Prime Video e no Google Play.
Nível de explicitação: 🌶️🌶️🌶️🌶️ (4/5)

Alba leva Natasha para o quarto do hotel na última noite das duas em Roma. Amanhã uma volta para a Espanha, a outra para a Rússia, e as duas sabem disso desde o primeiro minuto, é o prazo que faz a coisa funcionar.
Natasha resiste. Diz que gosta de homens, que tem noivo, que aquilo não é com ela. Alba propõe um acordo mínimo: deitar lado a lado e só tocar o rosto. Elas fazem isso. Alba relaxa e adormece. Natasha se veste e vai embora , e esquece o celular. O toque acorda Alba. Natasha volta para buscar o telefone e não quer entrar de novo no quarto.
Daí em diante o filme vira uma queda de braço de biografias. Uma inventa uma irmã gêmea. A outra inventa um passado inteiro. As mentiras vão sendo desmontadas com a mesma calma com que a roupa saiu, e o que sobra dói mais do que qualquer confissão direta. Max, o garçom do turno da noite, sobe com comida em três momentos e é a única coisa que lembra o espectador de que existe um prédio ao redor daquela cama.
Por que 🌶️🌶️🌶️🌶️? Porque o filme passa a maior parte da metragem com as duas atrizes nuas em quadro, e Medem não usa lençol como cortina. As cenas de sexo são longas, tocadas na música de Jocelyn Pook, e Álex Catalán ilumina o quarto como se ele fosse um quadro renascentista — o que é quase literal: há pinturas nas paredes e o filme não para de olhar para elas.
O sexo é simulado. Não há material explícito nem sexo real em cena. O que carrega o nível 4 é o volume de nudez integral e a duração das cenas, não a exibição de ato.
Este é o mais “a dois” dos filmes do Medem, por um motivo simples: o filme inteiro se passa no lugar onde você provavelmente está assistindo. A sincronia entre o quarto da tela e o quarto de verdade faz metade do trabalho. É também um ótimo filme para assistir sozinha, sem pressa, com o telefone em outro cômodo.
🎵 Trilha: “Loving Strangers”, da Russian Red — e depois a partitura de Jocelyn Pook inteira.
🍷 Ritual: vinho tinto, luz de abajur, janela aberta. Se der para escutar rua lá fora, melhor ainda.
Quarto em Roma é o filme mais bonito e mais frágil de Julio Medem. Bonito porque ele segura 107 minutos com duas pessoas num quarto e nunca deixa o enquadramento ficar preguiçoso. Frágil porque, sempre que as duas abrem a boca para dizer alguma coisa profunda, o filme tropeça no próprio simbolismo. O erotismo funciona sem falha: é raro ver uma noite de sexo entre duas mulheres filmada com essa paciência e sem piscar para a plateia masculina. Vale pelo corpo do filme, não pelo texto dele.
Não. O sexo é simulado. O que torna o filme explícito é o volume de nudez integral e a duração das cenas, não a exibição de ato sexual real.
Não há streaming por assinatura ativo no Brasil no momento. Fora do país, o filme aparece no catálogo do MUBI. No Brasil, verifique aluguel e compra no Prime Video e no Google Play.
Nível 4 de 5 (🌶️🌶️🌶️🌶️): nudez integral durante a maior parte da metragem e cenas de sexo longas, todas simuladas.
Sim. É um remake livre de En la cama (2005), do diretor chileno Matías Bize, que usa o mesmo dispositivo: um casal, um quarto, uma noite.
Já assistiu? Conta nos comentários — e se foi a dois, conta ainda mais. 😈
