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Antes de existir OnlyFans, antes de “criadora de conteúdo” ser profissão, uma menina de São Paulo abriu um blog e começou a escrever sobre os homens que passavam pela cama dela. Escrevia bem. Escrevia com nome, preço e nota. O Brasil inteiro leu — e fingiu que não estava lendo. O filme de 2011 é a tentativa de contar essa história com câmera. Acerta menos do que gostaria e mais do que a crítica admitiu na época.
Título: Bruna Surfistinha
Ano: 2011 (estreia: 25 de fevereiro)
Direção: Marcus Baldini (estreia dele em longa-metragem)
Roteiro: José Carvalho, Homero Olivetto e Antônia Pellegrino, a partir de O Doce Veneno do Escorpião, de Raquel Pacheco
Elenco principal: Deborah Secco, Cássio Gabus Mendes, Drica Moraes, Fabiula Nascimento, Cristina Lago
Duração: 107 min
País: Brasil (idioma original: português)
Onde assistir: Globoplay e Prime Video. Alguns catálogos também listam a Netflix — a disponibilidade oscila, confira antes.
Nível de explicitação: 🌶️🌶️🌶️ (3/5)

Raquel Pacheco é filha adotiva de uma família de classe média paulistana, estuda num colégio tradicional e não se encaixa em lugar nenhum. Antes de completar dezoito anos, ela sai de casa.
O filme não pisa em ovos quanto a isso, e esta curadoria também não vai: uma adolescente entra na prostituição, e é dali que sai tudo o que vem depois. É a linha que o filme atravessa e que a plateia de 2011 preferiu não olhar de frente.
Um cliente diz que ela tem cara de surfista. Ela adota o apelido. E, no quarto alugado da casa em que passa a morar com outras garotas, começa a escrever num blog: quem veio, o que pediu, o que sentiu. O blog explode. Vira livro. O livro vende trezentas mil cópias.
A segunda metade do filme é sobre o que cobra por dentro. As drogas. A cliente que se apaixona. A distância com a família. A dúvida sobre onde termina Bruna e onde recomeça Raquel, pergunta que a própria Raquel respondeu depois, numa entrevista, dizendo que Bruna acabou virando maior que ela.
Por que 🌶️🌶️🌶️? Há nudez e cenas de sexo com duração real, filmadas com cuidado e sem eufemismo — o filme foi ousado para o padrão do cinema comercial brasileiro de 2011 e é lembrado por isso. Mas a montagem é de drama biográfico: as cenas servem à cronologia da personagem, não ao tesão do espectador. Não espere o ritmo de um filme erótico. Espere um retrato com sexo dentro.
O sexo é simulado. Nenhum material explícito.
Se você chegou esperando um filme para ligar o clima com alguém, olhe outra curadoria. Este funciona melhor como estudo — de uma mulher, de uma época, e de um país que comprou trezentas mil cópias do livro e depois foi torcer o nariz para o filme.
Sozinho(a). Este é um filme de olhar, não de acender. Se for a dois, que seja com alguém com quem dá para conversar depois, porque as perguntas que ele deixa, sobre escolha, sobre dinheiro, sobre o que se vende e o que não se vende, são boas demais para desperdiçar.
🎵 Trilha: “Fake Plastic Trees”, do Radiohead. Escute a letra inteira depois do filme.
🍷 Ritual: noite de semana, sozinha, sem plano nenhum para o resto da noite. É esse o encaixe.
Bruna Surfistinha foi tratado com esnobismo pela crítica de 2011 e a plateia foi assistir mesmo assim, dois milhões de pessoas, o maior filme brasileiro do ano. Reassistido hoje, o esnobismo envelheceu pior que o filme. Deborah Secco entrega a melhor atuação da carreira dela até ali, e o roteiro tem a decência de não transformar a personagem nem em vítima nem em heroína: ela é uma mulher que fez uma escolha e pagou por ela em prestações.
O que trava é o formato. A estrutura é a de uma biografia de televisão, com marcos batendo um atrás do outro, e o filme nunca desacelera o suficiente para deixar uma cena respirar. Como objeto erótico, é morno. Como retrato de uma mulher que inventou uma profissão que ainda não tinha nome, é bem melhor do que dizem.
Sim. É a adaptação de O Doce Veneno do Escorpião, o livro autobiográfico de Raquel Pacheco, que se tornou best-seller com mais de 300 mil cópias vendidas.
Não. O sexo é simulado. Há nudez e cenas com duração real, mas nenhum material explícito.
No Globoplay e no Prime Video. Alguns catálogos também listam a Netflix, mas a disponibilidade oscila — confira antes.
Nível 3 de 5 (🌶️🌶️🌶️): nudez e cenas de sexo com duração real, filmadas dentro de um registro de drama biográfico, não de filme erótico.
Sim. A sequência foi filmada no fim de 2025, com Deborah Secco de volta ao papel e Marcus Baldini na direção, e tem estreia prevista para 2026.
Já assistiu? Conta nos comentários — e se foi a dois, conta ainda mais. 😈