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Recomendação de E.S. Oxes
Existe um furo no meio deste filme, e Julio Medem avisa: quem cai nele não chega ao fim da história, volta para um ponto anterior dela. Um lugar onde ainda dá para escolher outra coisa. É a ideia mais estranha de Lúcia e o Sexo, e é também o que ele faz com o sexo, ninguém aqui transa para chegar a lugar nenhum. Transa-se para voltar. O filme abre com Lúcia entrando num restaurante fechado, em Madri, para dizer a um escritor que está apaixonada por ele. Não é metáfora do desejo. É uma mulher atravessando a rua e falando.
Título: Lúcia e o Sexo (Lucía y el sexo / Sex and Lucia)
Ano: 2001
Direção e roteiro: Julio Medem
Elenco principal: Paz Vega, Tristán Ulloa, Najwa Nimri, Elena Anaya, Daniel Freire, Javier Cámara
Fotografia: Kiko de la Rica · Trilha: Alberto Iglesias
Duração: 128 min
País: Espanha (idioma original: espanhol)
Onde assistir: Filmelier+ (canal do Prime Video, R$ 14,90/mês) desde 09/07/2026; também aluguel e compra no Prime Video e na Apple TV
Nível de explicitação: 🌶️🌶️🌶️🌶️ (4/5)
Lúcia é garçonete. Lorenzo é escritor, e escreve mal quando está feliz. Seis anos depois daquela noite no restaurante, ele desaparece, e a polícia liga com a delicadeza de um sino de igreja.
Ela pega uma balsa para Formentera, a ilha que Lorenzo descrevia e nunca a levou. Aluga um quarto branco de Elena, que tem uma filha pequena. Conhece Carlos, mergulhador, que fala pouco e diz que aquilo ali nem é uma ilha de verdade. E aos poucos Lúcia percebe que a ilha inteira já estava no livro: as pessoas que ela encontra são as pessoas que Lorenzo escreveu, ou escreveu porque encontrou, e a ordem disso deixa de importar.
Uma noite de lua cheia no mar, anos antes, com uma desconhecida. Uma filha que ele descobre pelo telefone. Uma babá chamada Belén que mora num apartamento onde a mãe deixa a televisão ligada no canal errado. E um cachorro. Todo mundo que já assistiu lembra do cachorro.
Medem embaralha os tempos até você desistir de reconstruir a linha e simplesmente ficar dentro da coisa. A pista está no título: a metade luminosa é Lúcia; a metade escura, cheia de rimas e buracos, é o sexo.
Por que 🌶️🌶️🌶️🌶️? Nudez frontal dos dois lados, ereções em quadro, cenas longas que não cortam para a cortina balançando. Não é sugestão: é o corpo dentro do enquadramento, filmado com a mesma luz branca de Formentera que ilumina o resto do filme.
Sobre o que é real: é misto, e isso está documentado. O guia parental do IMDb registra sexo não simulado em tela, e o trivia da produção informa que boa parte do material mais explícito foi rodada por dublês, não pelos atores principais. Some a isso a pornografia que aparece dentro do filme, na televisão do apartamento de Belén. Ou seja: o que você vê é explícito de verdade, mas nem tudo o que você vê é o elenco principal.
O filme foi recusado por festivais por causa do conteúdo gráfico e ganhou uma versão aparada para o mercado americano. Se você quer o filme que Medem montou, procure a versão sem cortes.
A dois — mas não como aquecimento. Este é um filme para casal que já se conhece o bastante para conversar depois, porque Lúcia e o Sexo mexe com o que se conta e o que se cala dentro de uma relação de seis anos. O erotismo é forte o suficiente para acender; a segunda metade é pesada o suficiente para apagar. O que sobra costuma ser conversa boa.
🎵 Trilha: a partitura de Alberto Iglesias — vale ouvir antes, sozinha. Depois, qualquer coisa mediterrânea e sem pressa.
🍷 Ritual: vinho branco gelado, luz baixa, celular longe. Deixe pelo menos meia hora livre depois dos créditos. Vocês vão querer.
Medem foi acusado, no ano do lançamento, de usar sexo em excesso, e a acusação envelheceu mal. O que ele faz é raro: constrói o filme com o sexo, não apesar dele. Tire a cena explícita e o filme desmonta, porque é ali que os personagens dizem a verdade que não conseguem falar. O preço é uma segunda metade que se enrola nos próprios símbolos (a lua, o sol, os buracos) e às vezes tropeça na esperteza. Ainda assim: é o filme erótico mais bonito de fotografar que o cinema espanhol produziu neste século, e Paz Vega entrando naquele restaurante continua sendo uma das melhores cenas de sedução já filmadas.
É misto. O guia parental do IMDb registra sexo não simulado em tela, e o trivia da produção indica que parte do material mais explícito foi feita por dublês, não pelos atores principais. Há também pornografia exibida dentro do filme.
Está no Filmelier+, canal do Prime Video (R$ 14,90/mês), desde 9 de julho de 2026. Também disponível para aluguel e compra no Prime Video e na Apple TV.
Nível 4 de 5 (🌶️🌶️🌶️🌶️): nudez frontal masculina e feminina, ereções visíveis e cenas de sexo longas e diretas.
Sim. Foi feita uma versão suavizada para a distribuição nos Estados Unidos. Para ver o filme como Medem montou, procure a edição sem cortes.
Já assistiu? Conta nos comentários — e se foi a dois, conta ainda mais. 😈
